A PÁGINA DE LEON D' ARGON

Da Inglaterra, escreve o escritor e filósofo brasileiro Leon D'Argon.

 
 

RAP-PÚBLICA

"Existem administradores regulares que um belo dia se enganam e são demitidos. Também existem aqueles que se equivocam por décadas, para depois - de serem tomados com muito bons - serem desmascarados. Mas há os que constróem uma carreira inteira de falcatruas e nunca sequer são acusados - estes são os in(dis)pensáveis."

Por todos os lugares onde divulgam as suas mensagens estridentes os papagaios apregoam que eu moro na República dos Quebra Molas. Sou então, como nós nos chamamos por aqui, um quebra, e ser quebra significa conviver nesta bela e alegre charada - a maior de nosso continente. Digo isto sem medo pois a nossa imensa Quebra Molas é terra especial, terra que as grandes safras sempre nos abençoam, mas cuja riqueza tropical está empenhada - há mais de século - em duplicadas vencidas. Duplicatas que jazem, ameaçadoras, nos cofres dos espertos banqueiros de alguns países frios, ou de banqueiros frios de alguns países, espertos- o que dá no mesmo.

Nossa capital foi planejada em 1824 por um heróico major que lutou, anteriormente junto com os portugueses, contra as tropas de Napoleão Bonaparte. Ele, após muito meditar, optou por situá-la, estrategicamente, em um sítio longe dos dois grandes mares: o mar de Yemanjá - por onde poderiam chegar piratas, corsários e frotas alienígenas e assim tomar facilmente a nossa bela capital; e o mar dos miseráveis que historicamente teimam em proliferar e, vamos dizer, poderiam com seus estomacais brados deseducados prejudicar a nossa eficiente administração pública. Desta forma , cerca de 130 anos depois , o parlamento e o executivo concluíram o derradeiro projeto. Graças a vários esforços de convocações extraordinárias que quase quebram a caixa econômica de Quebra.

Dizem as línguas ferinas, dos pirarucus oposicionistas, que a demora nada tem a ver com a nossa cultura mas sim devido a dificuldade de se encontrar um nome adequado para colocar nas cópias das plantas e diagramas. Mas o certo é que só depois que um grande arquiteto, o melhor paisagista do continente e um genial urbanista avisaram o presidente que seria de bom tom ele interromper as suas aulinhas de cavaquinho - extremamente prioritárias para o futuro de Quebra Molas - e inaugurar a capital já pronta, é que o nosso congresso, um pouco ressentido, conseguiu encerrar o seu dinâmico debate - debate mais que secular. Assim foi batido o martelo - e a cidade batizada ganhou o nome de Vendeta. E desde então - conforme apregoam os papagaios, os periquitos, as caturritas, as araras, as maracanãs e as jandaias - únicas fontes dignas de fé aqui em Quebra Molas - Vendeta passou as ser o seu nome.

Temos que ressalvar que a cidade foi muito bem construída e todo mérito se deve endereçar à equipe de planejadores light - a nossa única experiência interdisciplinar que deu certo. Mas com o tempo as inerentes agruras políticas transformaram Vendeta em um imenso acantonamento e a posterior degradação urbana fez dela um ninho chocho. Perdão pelo trocadilho mas chocho-light seja talvez um perfeito apelido para o plantel de condutores que lá de Vendeta nos governam.

Mais recentemente os pesquisadores começaram a preparar os documentos que serão divulgados durante o carnaval de quinze dias - uma cerimônia modesta para 200 milhões de convidados- que se realizará por ocasião da comemoração dos nossos duzentos anos de independência. E assim os leigos e laicos passaram a ter conhecimentos de outras versões sobre o batismo de nossa belacap. As três principais versões são as seguintes:

De acordo com os nossos historiadores a eterna relação de conflito entre
colonizados e colonizadores fez a cidade incorporar uma maldição que consome as populações pobres de algumas regiões italianas - ou mesmo umas poucas cidades do nordeste brasileiro. Lá ,como em Vendeta, os homens são rigidamente educados só para crescer, acumular ódio e matar os homens da família rival. Modernamente este costume familiar foi globalizado e hoje pode-se matar indiscriminadamente , pois é o mercado quem deve ditar as regras sanguinárias - e nunca os preconceitos consangüíneos.

Assim Vendeta seria uma capital com um espírito... um espírito de porco - que está se espalhando por Quebra Molas e tenderia a tornar a violência dos justiceiros e os linchamentos de inocentes em espetáculos tão rotineiros quanto o futebol em países latinos.

Já os nossos mais sérios humoristas dizem que o vocábulo Vendeta não deriva do italiano e tampouco de maus exemplos brasileiros, mas seria sim uma espécie de convite, ou saudação, de gentis anfitriões. Saudação normalmente endereçada às embaixatrizes que visitam a nossa hospitaleira República, e na língua popular - falada pelos quebras - Vendeta significaria : Vem! detá comigu na rede.

Finalmente os representantes do comércio, local e internacional, que por hábito profissional não contestam nenhuma da outras duas versões já apresentadas já que cresceram e enriqueceram se dando com Deus e o Diabo, juram por todos os profetas que a nova cidade quando começou a ser construída se implantou sobre uma bucólica vila que já existia. Onde havia uma parada de tropeiros - famosa pela venda localizada ao pé de uma refrescante bica d'água potável. Ali, dizem eles, naquela birosca, bolicho, vendinha ou vendeta, durante as longas manhãs quentes se matava a sede; à tarde se matava o tempo; e a noite - por pura falta do que fazer - se planejava como matar (caso o texto precise ser secionado , corte aqui) a proverbial alegria do nosso povo.

Doravante qualquer turista que nos visitar poderá escolher, e divulgar, a versão que mais lhe satisfazer, mas por favor não pense, ou diga, que nós desta terra, somos capazes de viver em um outro lugar do planeta, pois isto soará como infâmia. Veja bem ,não seria a ausência de : futebol; das comidas; das praias; do batuque; das cachoeiras; ou das belas montanhas que nos provocariam depressão. O que nos traria saudade mortal seria Ela - a insubstituível Vendeta - a capital cujas tragicômicas ordens transforma o nosso cotidiano num dos mais desafiantes do mundo .Por exemplo:
- Se uma música boa , que contém letra inteligente, começa a ser muito solicitada, pronto! Vendeta a proíbe;
- Se se combinar um campeonato de brigas de galos, Vendeta persegue;
- Se as moças começam a se banhar de biquínis, Vendeta fica possessa;
- Se um ditador sanguinário, ou famigerado golpista, é expulso de alguma república vizinha - certamente Vendeta o acolherá com banda de músicas e lhe doará uma casa digna de um embaixador;
- Se nos comícios de estudantes estes clamarem por um TCHE- podem estar certos que Vendeta nos providenciará um pino... um PINOTCHE.
- Se os eleitores de uma das províncias rejeitam, nas urnas, um político medíocre- Vendeta fatalmente o transformará em ministro de estado;
- Se jogo de apostas, ou bingo, começar a empregar muita gente- Vendeta acabará com todos os bingos.

Mas nem tudo é repressão , também há muita boa intenção. Por exemplo se um tesoureiro de financeira sumir com um livro-caixa ,ou sonegar impostos e isto se tornar alvo da imprensa , podem anotar que Vendeta de forma magnânima o anistiará e transformará em primeiro ministro.

Ou seja quanto mais povo de Quebra Molas tenta ser feliz, mais Vendeta se afasta dele e se assume como...como Vendeta.

Há mais de meio século que por mais que converse com pesquisadores, fale com os nossos sábios e leia os documentos sagrados de nossa Rap-Pública creio que mais me afasto da possibilidade de estar a altura da hiperbólica lógica de Vendeta.

Claro que todos o nossos governantes trabalham e são de conduta irretocável pois nas prontas reações de Vendeta reside a maior prova da constante vigilância governamental .E , a verdade se diga, quando deseja ,o nosso governo é um dos mais rápidos do mundo. As vezes a gente adormece com umas moedas velhas guardadas no banco, ou sob o colchão, e se depara, ao despertar, com um porta voz de Vendeta anunciando o portal dos paraísos da nova economia. Economia esta movida por uma circunferência monetária totalmente nova e moderna- mas cujo passaporte de entrada normalmente exige que se desvalorize as nossas suadas poupanças em 30 ou 40%.Coisa pouca , coisa muito pouca para nós - que colocamos Vendeta acima de tudo.

O mundo não precisa temer, pois acredito que nem eu nem meus conterrâneos corremos o risco de ver a capital sumir do mapa, pois, Vendeta veio para ficar .Além de seu Plano Diretor não ter autorizado a construção de nenhuma torre, ela é alheia ao sistema de GPS .E só se pode chegar aos seus portais depois de percorrer um trajeto superior ao caminho de Santiago. Partindo de Pasárgada deve-se dobrar 100 léguas após ultrapassar Santa Fé/RS e , pernoitando em Macondo , após um bom galope, corre-se o risco de avistar Quelônia- a nossa colônia cibernética - que dista de Vendeta apenas 1.000 côvados. A dificuldade de achá-la é tamanha que os nossos incansáveis mandatários, fatigados, muitas vezes pernoitam em outros países...

Hoje a maior charada planetária é se verificar que os países e os grande banqueiros internacionais, que outrora nos avalizaram empréstimo , tornaram-se os nossos credores mas , paradoxalmente, não conseguem ser tão felizes como nós.

Segundo Nedlaw, meu centenário papagaio,(Sic.) : -" só povos inseguros não valorizam seus governos pois é muito confortador ver o sol nascer todos os dias e saber que temos um governo - todo nosso- voltado para o difícil afã de nos aborrecer". Ned Curropaco ! fala isto do alto de suas penas embranquecidas pelo tempo - que o fazem mais parecer uma cacatua cheia de autoridade. Autoridade de quem comeu churrasco na festa de fundação do Grêmio e assistiu a primeira locomotiva nacional ser e vendida para um ferro-velho, pois esqueceram-se de encomendar, e construir a ferrovia - mas isto é outra história.

Já que os povos que contam com governantes ortodoxos não conseguem ser felizes - e talvez isto explique os suicídios dos suecos e finlandeses. Pretendo me dedicar à suprema missão de exportar ,aos tristes povos dos países ricos, o estrato Real de nossa alegria - já que o atual torrencial envio de Reais não lhes basta:
- Vendeta senhores credores é o segredo da infinita alegria nacional .A sua lógica ímpar nos desgoverna tão candidamente que nos torna o povo mais feliz do mundo.

Também o velho Ned , talvez como herdeiro da sabedoria de seu compadre Gimbo(1), recomenda que se evite com crônicas, artigos e livros correr o risco vil da popularidade.

Afinal, toda a popularidade é fruto da alegria do povo. E alegria - toda ela - é capaz de provocar a suprema ira de Vendeta.
Então caro leitor leia este texto MAS POR FAVOR não o divulgue..

Leon D'Argon - Um "Quebra" navegando na baía de Bota Amarela. Ago 2004

(1) Gimbo - nome do heróico papagaio que testemunhou a Masada ocorrida na antiga Velópolis- Fonte - MARSICO, Gladstone O.( obras disponíveis na biblioteca de Boa Vista).


CINZAS NO PARAÍSO

O estado de apatia latino-americana nos remete às cinzas. Não só as da quarta-feira pós-folia onde todos depois de buscar na alienação um pouco de sossego retornam a realidade. Mas as cinzas das notícias que apontam para:
- um decrescimento econômico só visto nos tempos de Collor;
- uma crise crescente na Venezuela;
- e para a repetição anunciada, e aparente, de um paradigma golpista no Haiti.

Neste último caso devemos louvar a informação da revista Carta Capital que foi a única a furar este consensual-bloqueio contra o Presidente Aristide e nos informou que os seus problemas começaram quando ele se predispôs a elevar o Salário Mínimo e realmente estava concretizando isto.

Quem, também nas cinzas, deve estar se remoendo é o imortal líder Toussaint Louverture que além de libertar o país e derrotar juntos a escravidão e os generais de Napoleão soube se impor como consolidador da Paz em toda aquela ilha onde hoje o Haiti compõe uma parte.

Infelizmente, Louverture foi vitimado por uma conspiração francesa que o levou à morte de forma traiçoeira - no século XIX.Toussaint se oporia hoje, certamente, a dúbia posição do governo Francês - que pateticamente se aliou aos cortesãos do consenso.Mas o certo é que quase todos estão em busca das migalhas do lar doce dólar americano e... do presidente deposto não se fala mais.

No Brasil, a esquerda que hoje se apalaciou no planalto, teria muitos motivos para colocar a boca no trombone, pois Aristide é oriundo da costela política que se criou para substituir os socialistas, comunistas e trabalhistas, sob a benção da Santa Madre Igreja.Teologia da Libertação este parece que era o seu nome, mas hoje talvez a própria Igreja Católica tenha se afastado de Aristide como começa a se afastar do senhor presidente L. Inácio, e isto não conseguimos compreender. Mas o certo é que se realmente houve uma deposição tutelada por potências estrangeiras naquele país o seu ex-presidente vai aguardar no exílio e sem padrinho a história lhe fazer justiça.

Nossos tropicalientes compositores ousaram cantar, na Bahia, que o Haiti é aqui. Mas temos que discordar radicalmente, pois com a publicação do valor do salário mínimo aprovado para o próximo primeiro de maio já se pode saber que o senhor Luís I. não pretende correr os mesmos riscos corridos pelo seu colega haitiano.Talvez a sua assessoria tenha oPTado não por uma via latino-americana, mas por uma linha mais européia, similar a via trilhada por Lec Walesa na Polônia, e que se não foi interrompida drasticamente, também em nada colaborou para a construção de uma Polônia melhor ou de uma ampliação da qualidade de vida de seus colegas da base sindical.

Bem, poderia argumentar algum crítico de nossa apatia, a maioria da população é negra no Haiti... e talvez os nossos movimentos negros pudessem dedicar um minuto de mídia eleitoral ou publicitária para denunciar este golpe, concretizado com maestria gélida, nos trópicos, mas temo que também o que está em pauta no momento é a África, a Jamaica ou outros temas mais calientes, e assim a brasa da indignação vai se resfriando sob as cinzas de nosso continente. Continente que só a falta de solidariedade impede de se transformar no verdadeiro paraíso em terra.

Londres, Leon D'Argon, 22 de abril de 2004

 
 

O Gênio do Lago Norssul

para Janaína Monteiro Reisdorfer

Era uma vez um país tropical, com nome carbonário, que conseguiu depois de séculos e séculos de esforços eleger um simples mecânico de torniquetes para o maior cargo da nação. À sua posse todo o mundo compareceu e logo Call Amares, este era o seu nome, e a prima dama Maresia foram habitar o palácio residencial na capital.

Os dias foram se passando, os hábitos e os amigos mudando, e a dama "prima" resolveu apreender a jogar golfe, afinal todas as mulheres de estadistas do mundo praticavam este esporte. Aproveitou que o marido ressonava em uma rede e partiu para o gramado onde começou a praticar ... passados cinco minutos o primeiro mandatário foi despertado pelo barulho de uma vidraça se quebrando e bastou sentar na rede para intuir tudo o que tinha acontecido. Depois de ouvir as explicações da esposa decidiu ir rapidamente a mansão vizinha, na mesma margem do lago, para se desculpar e indenizar o proprietário.

Quando entraram na residência vizinha encontraram um senhor de bermudas e sobre a mesa, na sua frente, uma garrafa de vinho Concha & Toro quebrada.
Falou o proprietário:
- Ah foram vocês que quebraram a minha vidraça?
Sim - respondeu o casal - iniciando um rosário de desculpas esfarrapadas e se oferecendo para indenizar o prejuízo.
Mas a voz do senhor de bemudas voltou a soar forte:
- Pagar...? Ninguém falou em pagar nada. Pelo contrário eu quero agradecer-lhes. Pois sou um gênio e estava há séculos aprisionado naquela garrafa. O que vocês fizeram foi me libertar e portanto lhes ofereço o que é costumeiro - os três pedidos regulamentares nesta situação - só que só autorizarei um pedido para cada um de vocês e um para mim. Está combinado?
- O nosso casal passou da vergonha a alegria em segundos e é claro, concordou com a proposta do gênio.

E assim, a senhora fez seu pedido. Pediu para ser a melhor jogadora de golfe do mundo. O gênio não só lhe assegurou que isto aconteceria como lhe presenteou - da sua imensa coleção - um taco com cabo de marfim..
O seu marido lhe sucedeu e pediu para passar para a história como o melhor presidente da nação. O gênio também lhe garantiu que isto seria feito e que ele nunca seria esquecido pelos seus conterrâneos.

Ambos já iam se despedir, quando o gênio lhes lembrou que também ele tinha direito a um pedido, para encerrar a série de três. E começou a lhes contar da sua longa e sacrificada abstinência sexual e da necessidade que tinha de por a sua ... vamos dizer escrita sexual em ordem... Ambos se compadeceram do gênio e ele lhes demonstrou que como era super ativo antes de ser aprisionado o seu saldo negativo estava na ordem de cento e setenta milhões de transadas, logo era este o número que lhe colocaria em "condições zero de comidas". Logo o que ele desejava era uma autorização presidencial para "F" toda a população de uma só vez, caso não a obtivesse os outros dois pedidos seriam anulados e não se falava mais no assunto. O casal confabulou, dialogou e falou em conjunto que:
- Diante do auxílio dado a ambos e a nação até que achavam o pedido modesto . E assim o presidente rascunhou e assinou a autorização para que Faruk Moamed Ille - este era o nome do senhor de bermudas - fizesse o que bem entendesse com toda a nação. E depois cordialmente, como bons vizinhos, se despediram e retornaram ao palácio para preparar as malas pois fariam mais uma rotineira viagem internacional na madrugada seguinte.

A partir daquela noite o povo todo pagou caro o "atraso" do gênio. Gritos, gemidos, sussurros e berros foram ouvidos por todo o país, menos no palácio residencial que ficava bem afastado das áreas urbanas, para permitir que a família presidencial nunca perdesse o sono.

Logo após desembarcarem no aeroporto de Miami, lugar para onde vão os novos ricos e neo-poderosos, e desfazerem as malas no interior da suite presidencial do melhor hotel, a primeira dama chamou um taxi, e dando uma beijoca no marido, seguiu para o campo de golfe onde haveria um campeonato só para primeiras damas. Toda feliz, com suas roupas confeccionadas pelo melhor costureiro da RQM, e muito segura de si pois "afinal ela tinha a força"...ou melhor ela tinha o taco do mago...

No estádio fez a sua inscrição e segundo o resultado do sorteio foi colocada a jogar contra uma adversária da Tailândia, uma quase garota, bonitona mas muito esguia, e para o seu estonteante espanto foi derrotada vergonhosamente e o pior - o taco da adversária era feito de um reles bambu. Voltou para o hotel chorando e encontrou o mandatário bêbado, cabisbaixo e reclamando que ao visitar o consulado para assinar uns documentos foi visto por vários conterrâneos, que não lhe deixaram nem acenar pois lhe destinaram uma vigorosíssima vaia, resultado: regressou para o hotel em carro blindado e cercado de forte aparato de segurança, similar aqueles que se vêem nos filmes sobre o Rio de Janeiro. Olharam um para o outro sem atinar nenhuma solução e então chamaram o ministro José De-cewin, um complexo vigoroso que ganhara fama no combate aos radicais livres, para lhes aconselhar.

Horas e horas foram gastas nas tele-reuniões com vários conselheiros internacionais e no final o presidente encarregou o ministro para questionar o Gênio sobre os seus dissabores, e isto foi feito na madrugada seguinte.
- Alo! é da casa do mago Faruk ?
- Sim , é ele mesmo que está falando e pode chamar-me pelas minhas iniciais.
- Senhor F... aqui é o ministro De-cewin e estou falando em nome do presidente, da primeira dama e de toda a nação - estamos diante de um sério problema de estado pois a primeira dama foi derrotada no campeonato de golfe e o presidente ganhou uma tremenda vaia em frente ao consulado de Miami. O que é que o senhor tem a dizer sobre isto?
- Olha aqui seu Win, eu posso saber a idade média do casal presidencial?
- Acho que o senhor esta fugindo completamente do tema, mas como isto não é segredo nacional eu posso lhe adiantar que ambos estão com um pouco mais de cinqüenta anos.
- Então por favor pergunte a eles se com esta idade eles não tem vergonha de ainda acreditar em gênio-de-garrafa... ?

Leon D'Argon na República dos Quebra-Molas, 30 de abril de 2003

P.S. Mas, o que podemos aproveitar desta estória ?

1-Realmente segundo o insatisfeito Linnus Pauling que - após ganhar um prêmio Nobel e viveu mais de 90 anos e ganhou outro prêmio Nobel - a vitamina C é um complexo que se ingerido em doses superiores a um grama por dia inibe os radicais livres.

2-Pode-se quebrar quase tudo na casa de um Latino-americano... menos uma garrafa de Concha & Toro.

3- Todos podem acreditar em duendes, mula-sem-cabeça e gênios da lâmpada ou da garrafa ... mas crer em gênio saindo da garrafa de bermuda ah...! Isto é demais.

4- O FMI assume muitas faces e as vezes nem Jeová consegue nos salvar.

  El misterioso y al parecer insondable Sr. Bush
Por León D'Argon
En un reciente artículo, un famoso escritor Brasileño involucrado con los problemas medioambientales y también un analista sutil de la realidad occidental, comenta: "...La guerra es algo que se hace para ganar más dinero" lo que recuerda la economía de EE.UU. y al analizarla nos trae a la memoria la comprobación de que cada vez que el imperio - ya no occidental sino ahora, hegemónicamente, mundial - se ha zambullido en periodos de retroceso, ha habido siempre conflictos convenientes y oportunos de naturaleza bélica para dinamizar su economía estancada.

En estos momentos de los primeros días de marzo de 2003, la inminencia de guerra de EE.UU. contra Irak bajo un clima de tensión aumentado también por los medios de comunicación, un niño brasileño de seis años de edad, sin que alguien se lo preguntase, emitió, mientras jugaba con sus automóviles de plástico, la siguiente frase simple y directa a su padre: "lo que Bush quiere es matar gente."

El subsuelo de los EE.UU. tiene reservas de petróleo que deberán estar agotadas en 2004. El área crítica en cuestión está cerca del Mar Caspio, que guarda la tercera parte de las reservas existentes confirmadas de petróleo y gas del mundo.

Es bastante difícil para un ser humano común entender este juego de intereses implicados en esa realidad estratégica que parece haber causado por varias veces tribulaciones de dimensiones inesperadas. Éstos son los depósitos al futuro, la zona es gran exportadora de petróleo, y claro, una guerra puede empeorar la crisis económica Occidental y Japonesa.

Pero, es completamente necesario recorrer a quien ya es parte de la historia: Osama Bin Laden. Hay un toque enigmático en las revelaciones del escritor francés Richard Labéviere autor del libro "El Terror": "Antes del ataque terrorista contra las Torres del WTC y el Pentágono, agentes de la CIA tenían resultados frecuentemente desastrosos en sus acciones terroristas - el francés agrega - a pesar de los anuncios del Departamento de Estado de querer capturar Bin Laden, se afirma - dentro de la administración americana - que quizás sería mejor encontrarlo con una bala en la cabeza, o directamente asesinado por el Talibán o por los servicios norteamericanos de inteligencia, porque, si este señor prestase declaraciones a una Corte de Justicia, podrá poner en marcha, inevitablemente, alguna tipo de 'Irangate', un `Bin Ladengate' bastante difícil de ser controlado".

Nada más sorprende en cualquier magnitud, no obstante, en este caso, el bastidor está cargado con armas de fuego, arsenales terroristas, petróleo, mucho petróleo, y, de repente, hasta armas nucleares para no hablar de armas químicas y biológicas.

Lo que más asusta es la revelación sorprendente de que uno de los 51 hermanos de Osama Bin Laden tenía negocios con la familia Bush, antes de morir en un raro accidente de aviación en los EE.UU., lo que nos lleva pensar que la numerosa descendencia de Mohammed Awad Bin Laden siempre ha sido diplomáticamente, como corresponde a un buen y sensato millonario, capaz de participar y agitar en cualquier parte en los más variados y heterogéneos negocios en el mundo.

Cuando el fundador de la dinastía murió, el comando de sus poderosas compañías y del grupo diversificado fundado por él, pasó a las manos del hijo mayor, Salem Bin Laden, quien continuó las actividades en la construcción pesada además de hacer inversiones muy fuertes en el negocio de armamentos así como en las finanzas internacionales.

Salem murió cuando su avión BAC 1-11 se estrelló en Texas, EE.UU., después de haber hecho un acuerdo de negocios con una compañía en la cual la familia Bush tenía participación. Según una investigación del New York Times, Salem participó en 1980, un poco antes del accidente, en una reunión confidencial con agentes de la CIA y representantes Iraníes.

Durante esa reunión, se habría planteado que los rehenes americanos, entonces prisioneros en la embajada de EE.UU. en Teherán, la capital Iraní, serian libertados una vez que Ronald Reagan hubiera ganado la Presidencia. Este acuerdo terminó por demoler la reelección de Jimmy Carter.

No existían las pruebas de algo que confirmase eso en la presencia de la Justicia, pero el promotor que acompañó el caso; levantó la posibilidad de que Salem habria sido víctima de un complot después de ser técnicamente clasificado como un "testigo comprometedor."

Sin embargo, de acuerdo a las revelaciones en paralelo de ese terrible imbróglio y quizás sea por esa razón que uno ve un panorama difícil de ser descifrado, por eso el mismo escritor Brasileño dice: "...no sería una sorpresa la suposición de que el terrorista Osama Bin Laden muera de vejez. Fue así con Ho Chi Min, de Vietnam, con Aiatolá Komeini, lo esta siendo con Fidel, con Kadafi - y, sobre todos, con el saludable Iraquiano Sadam Hussein."

Esto puede ayudar entender la razón de por qué existe tanta suciedad debajo de la alfombra: un proverbio antiguo, usado entre las amistades y sociedades de negocios: "Dime con quien andas y te diré quien eres." Sin embargo, el pequeño niño brasileño parecería ya haber nacido sabiendo esto mejor que nadie.


León D'Argon es Brasileño, Filósofo y Escritor vive en Londres desde 1967.

Texto enviado por email a Voz IberoAmericana por el autor en Marzo de 2003 y traducido al Español por GT-Traducoes de Grosrem.

 
O misterioso e aparentemente imcompreensível sr. Bush
por Leon D'Argon

Em recente artigo, um famoso escritor Brasileiro ambientalista e arguto analista da realidade nacional e ocidental comenta: "...guerra é algo que se faz para ganhar mais dinheiro", o que após analisar a historia da economia dos EUA, leva-nos à lembrança e constatação de cada vez que o império, não mais ocidental senão, agora, hegemonicamente, do mundo, mergulhou em períodos de recessão, sempre apareceram convenientes e oportunos conflitos de natureza belicista para disparar sua estagnada economia.

Vive-se, nestes momentos de março de 2003, a iminência da guerra dos EUA contra o Iraque num clima de tensão mediática ao ponto de uma criança brasileira de 6 anos, sem ninguém a questionar, emitiu o seguinte conceito para pai,enquanto brincava com seus carrinhos de brinquedo: "O que Bush quer é matar gente".

No subsolo dos EUA, as reservas de petróleo deverão estar já exauridas em 2004. A região da crise está próxima ao Mar Cáspio, albergando a terceira parte das reservas, comprovadamente existentes, de petróleo e gás do mundo.

Resulta difícil para o simples mortal entender o jogo de interesses gerado por essa realidade estratégica, o que parece ocasionar muitas vezes trapalhadas de dimensões imprevisíveis. São depósitos a futuro, a zona é grande exportadora de petróleo e está claro que uma guerra pode agravar a crise econômica do Ocidente e do Japão.

É preciso voltar ao que já se tornou historia: Osama Bin Laden. Há um toque de enigma nas revelações do escritor francês Richard Labéviere, autor do livro O Terror: "Antes do atentado terrorista contra as Torres do WTC e o Pentágono, amiúde agentes da CIA tinham resultados desastrosos em ações terroristas - acrescenta o francês - a pesar dos anúncios do Departamento de Estado de querer capturar Bin Laden, afirma-se - na administração estadunidense - que talvez seria melhor encontrá-lo com uma bala na cabeça, ou diretamente assassinado pelo Talibã ou os próprios serviços norte-americanos, porque, se este senhor prestar declarações perante uma corte de justiça, desatar-se-á, inevitavelmente, um tipo de Irangate, um `Bin Ladengate' difícil de ser controlado".

Já nada mais surpreende. Só que neste caso, o telão de fundo está carregado de armas de fogo, arsenais terroristas, petróleo, muito petróleo, e, de repente, até armas nucleares para não falar das armas químicas e biológicas.

O que mais estarrece é a surpreendente revelação sobre um dos 51 irmãos de Osama Bin Laden ter tido negócios com a família Bush, antes de morrer num estranho acidente de aviação nos EUA, o que leva a pensar que a prole numerosa de Mohammed Awad Bin Laden tem estado, discretamente, como corresponde a todo bom milionário que se prece, sempre inserida e agitando nos mais diversos e heterogêneos negócios em qualquer lado do mundo.

Quando o fundador da dinastia morreu, o comando das empresas do poderoso e diversificado grupo criado por ele, passou às mãos do filho mais velho, Salem bin Laden, que continuou com as atividades na construção civil e pesada, além de efetuar fortes investimentos no negócio de armamentos e nas finanças internacionais.

Salem morreu quando seu avião BAC 1-11 espatifou-se no Texas, EUA, após ter pactuado negócios petroleiros com uma empresa na qual os Bush tinham participação. Segundo uma investigação do The New York Times, Salem participou em 1980, pouco antes do acidente, numa reunião secreta com agentes da CIA e representantes iranianos.

Teria sido acordado, naquela reunião, que os reféns americanos, então prisioneiros na embaixada dos EUA, em Teerã, a capital iraniana, seriam liberados uma vez que Ronald Reagan ganhasse a Presidência. Acordo este que acabou por demolir a reeleição de Jimmy Carter.

Não houve provas de nada daquilo perante a justiça, mas o promotor que acompanhou o caso, assinalou ser possível Salem ter sido vítima de um complô, devido a sua classificação técnica como "testemunha comprometedora".

No entanto, por as revelações em paralelo do terrível imbróglio - e talvez seja por isso - o que se vê é um panorama de difícil decifração pelo que el mismo escritor Brasileño escribe: "...não seria de surpreender se o suposto terrorista Osama Bin Laden haverá de morrer de velho. Assim foi com Ho Chi Min - do Vietnã, com o Aiatolá Komeini, está sendo com Fidel, com Kadafi - e, mais do que todos, com o, aparentemente, saudável iraquiano Sadam Hussein".

Mas, quiçá possa ser de ajuda para compreender o porquê de tanta sujeira embaixo do tapete, a aplicação de um velho adágio, nas amizades e nas sociedades de negócios: Diz-me com quem andas e te direi quem es. Entretanto, parece ser que a criança brasileira já nasceu sabendo disto melhor do que ninguém.


Leon D'Argon é Brasileiro, Filósofo e Escritor, reside em Londres desde 1967.

Texto enviado por email a Voz IberoAmericana pelo autor em Março de 2003.

 
The mysterious and apparently unfathomable Mr. Bush
By Leon D'Argon

In a recent article, a well-known Brazilian writer concerned with environmental issues and also a subtle analyst of western reality, comments: "...war is something that is done to make more money", which reminds USA economy that after analyzed takes us to remember the verification that every time the empire - not western anymore but of the whole world hegemonically - dove into recession periods, there have always been convenient and opportune conflicts of warlike nature to release its stagnated economy.

On these moments of March 2003 first days, the imminence of war of USA against Iraq in a climate of tension improved too by media, drove a 6 year-old Brazilian child, without anybody questioning him, to emit, while playing with his toy cars, the following simple sentence to his father: "what Bush wants is to kill people."

USA subsoil petroleum reserves should be already exhausted by 2004. The critical area involved is close to the Caspian Sea, housing the third part of world's confirnmed existant reserves of petroleum and gas.

It is quite difficult for an ordinary human being to understand this game of interests involved in that strategic reality, that seems to have caused for several times tribulations of unexpected dimensions. These are deposits to future, the zone is a great exporter of petroleum, and of course, a war can worsen the Occidental and Japanese economical crisis.

But it is absolutely necessary to return to what is already becoming history: Osama Bin Laden. There is an enigmatic touch in Richard Labéviere´s revelations, a French writer, author of the book "The Terror": "...before the terrorist attack against the WTC Towers and the Pentagon, CIA agents had frequent disastrous results in terrorist actions - the French adds - in spite of the Department of State announcements of wanting to capture Bin Laden, it is affirmed - inside the American administration - that perhaps would be better to find him with a bullet in his head, or directly murdered by Taliban or by North American intelligence services, because, if this gentleman would submit declarations to a Court of Justice, he will start up, unavoidably, some sort of Irangate, a `Bin Ladengate' quite difficult of being controlled" .

Nothing else surprises to any further extent, nevertheless, in this case, backstage is loaded with firearms, terrorist arsenals, petroleum, a lot of petroleum, and, suddenly, even nuclear weapons not speaking of chemical and biological weapons.

What frightens most is the surprising revelation that one of Osama Bin Laden's 51 siblings had businesses with the Bush family, before he died in a weird aviation accident in the USA, what leads us to think that the numerous progeny of Mohammed Awad Bin Laden has always been tactfully, as it corresponds to all good and sensible millionaires, participating in the most various and heterogeneous businesses anywhere in the world.

When the dynasty founder died, the command of his powerful companies and the diversified group created by him, passed to the oldest son's hands, Salem Bin Laden, who continued activities in heavy construction besides some very strong investments in armaments business as well as international finances.

Salem died when his BAC 1-11 airplane crashed down in Texas, USA, after having agreed on an oil business with a company in which the Bush family had participation. According to an investigation of The New York Times, Salem participated in 1980, a little before the accident, in a secret meeting with CIA agents and Iranian representatives.

During that meeting, it would have been brought up that American hostages, then prisoners at the USA embassy in Teheran, the Iranian capital, would be liberated once Ronald Reagan had won the Presidency. This accordance ended up by breaking down Jimmy Carter's reelection.

There were not proofs of anything concerning that to be taken to the presence of Justice, but the promoter that accompanied the case; pointed out to be possible Salem had been victim of a plot after being classified technically as a "compromising witness".

However, in accordance to revelations in parallel of that terrible imbróglio - and perhaps for that reason one sees a diffucult panorama to be deciphered, as for the same Brazilian writer wrote: "...it would not be a surprise the supposition of having terrorist Osama Bin Laden died of old age. It was like this with Vietnam's Ho Chi Min, with Aiatolá Komeini, it is being with Fidel, with Kadafi - and, above all, with the healthy Iraquian Sadam Hussein ".

An old proverb used among friends and business societies may help to understand the reason of why there is so much dirt below the rug: "Tell me whom you walk along with and I will tell you who are". Nevertheless, the small Brazilian boy would seem already to have been born knowing this better than anybody.


Leon D'Argon is a Brazilian Writer and a Philosopher. He resides in London since 1967. Text emailed to Voz by the author last March 2003 and translated into English by Guillermo Ortega